“Os estudantes Deivid Santana (à esq.), 18, e Vinicius Andrade, moradores do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, dizem que usam grifes como Lacoste e Hollister para chamar atenção das garotas”
Crédito Foto: Arquivo pessoal
Crédito Foto: Arquivo pessoal
Os rolezinhos (encontros de jovens da periferia em locais frequentados pela classe média alta) causaram barulho não somente nos shoppings, mas no mercado das marcas de luxo. Algumas delas consultaram o Instituto Data Popular, especializado em dados de mercado desse segmento, para pedir orientações de como desvencilhar sua imagem dos frequentadores das reuniões.
“Boa parte das marcas tem vergonha de seus clientes mais pobres. São marcas que historicamente foram posicionadas para a elite e o consumidor que compra exclusividade pode não estar muito feliz com essa democratização do consumo”, disse Renato Meirelles, diretor do Data Popular.
Meirelles não informa quais marcas procuraram o instituto. Mas diz que os rolezinhos aumentaram a procura. “Algumas empresas me procuraram dizendo ‘minha marca está virando letra de música, febre na periferia e não quero estar associado a esse pessoal'”, disse. Segundo Meirelles, antes de qualquer mudança, ele orienta a empresa a entender o motivo desse público procurar por sua marca.
Além das empresas preocupadas com a associação, outras que viram o aumento da renda da classe C como uma grande oportunidade de negócio também consultaram o Data Popular para saber como atingir esse público. “Depois da consultoria, duas marcas ainda insistiram em se descolar da classe C, enquanto outras quatro quiseram entrar”, afirma Meirelles.
Jovens da classe C têm renda maior do que classes A, B e D juntas
Segundo levantamento do Data Popular, divulgado em janeiro, a renda total dos jovens pertencentes a esse segmento social é de R$ 129,2 bilhões, maior do que a soma das classes A, B e D juntas, de R$ 99,9 bilhões.
Em 2013, na capital paulista, o consumo da periferia alcançou um valor duas vezes maior do que o consumo da região central: R$ 188,7 bilhões frente a R$ 87,53 bilhões.
“A renda dos 25% mais pobres cresceu 44,9% nos últimos dez anos. A dos 25% mais ricos cresceu 12,8% no Brasil. Ou seja, a renda dos mais pobres cresce numa velocidade maior do que a dos mais ricos. Efetivamente esse cara está ganhando mais do que no passado, e isso vai para o consumo”, afirma Meirelles.
Fonte: UOL
“Jovens da periferia, participantes de rolezinhos, usam grifes famosas e caras, como os estudantes Deivid Santana (à esq.), 18, e Vinícius Andrade, 17. Alguns clientes de classe média alta, consumidores dessas marcas, reclamam e outros dizem não se importar. Clique nas fotos acima para ver mais informações.”
Crédito Foto: Camila Neumam/UOL
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“”Nossa economia está forte e essas marcas de primeira-classe estão com preços competitivos com linhas nacionais. Mas imagina uma pessoa ser fichada, levada para a policia, usando a marca? Isso denigre a imagem”, diz Neymar Teixeira de Soares, 49, militar”
Crédito Foto: Camila/UOL
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” “Um exemplo é a Abercrombie. Era uma marca que todo mundo adorava, mas depois que o povo de baixa renda começou a usar, não vejo mais o pessoal usar. Mas eu continuo usando, não ligo para isso”, diz o estagiário de administração Marcelo Russo, morador de Alphaville, bairro nobre da região metropolitana de São Paulo.”
Crédito Foto: Camila Neumam / UOL
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” “Sendo uma roupa que eu goste, baseada nas influências que eu busco, não deixaria de usar, mas como eu não gosto dos rolezinhos, porque automaticamente as pessoas têm preconceito, eu não usaria nada ligado a eles”, diz Vitor Correa, 20, auxiliar de Logística.”
Crédito Foto: Camila Neumam / UOL
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